11 de abril de 2008

Por que Estratégias Emergentes?

O termo “estratégia emergente” tornou-se muito difundido os escritos sobre estratégia. Nos últimos anos, a idéia de decisões e estratégias emergentes disseminou-e velozmente na literatura de negócios. Um rápido levantamento na Internet mostra que o termo foi incorporado aos programas de disciplinas de estratégia das melhores escolas de negócios do mundo.

O conceito de emersão vem também sendo aplicado a outros fenômenos organizacionais: decisões, estruturas, processos. Há até mesmo uma publicação acadêmica dedicada ao assunto, intitulada Emergence: a journal of complexity issues in organizations and management. Em 1997, foi fundado o Centro para Estratégia Emergente de Santa Fé (Novo México, EUA), que posteriormente passou a se chamar Santa Fe Associates International.

O termo “estratégia emergente” foi introduzido na década de 1970 por Henry Mintzberg (1978). Uma estratégia emergente é, essencialmente, uma “estratégia não planejada”, no sentido de uma linha de ação que só é percebida como estratégica pela organização à medida que ela vai se desenrolando ou até mesmo depois que já aconteceu.

Ora, estratégia sem plano é, em termos, uma contradição.

A origem grega da palavra “estratégia” denota objetivos claros, planejamento e comando. Definições dicionarizadas de estratégia incluem “plano”, “método” e “estratagema”. Assim, para definir estratégia emergente de modo que pudesse fazer sentido, Mintzberg teve, antes, de ampliar o significado do termo estratégia.

Ele redefiniu estratégia como sendo uma linha de ação coerente que conduz a resultados importantes e desejáveis pela organização, tenha ela sido planejada com antecedência ou não. Tal linha de ação pode ser percebida por um observador externo como sendo resultado de um plano, mesmo nas ocasiões em que isso não ocorreu (Mintzberg, 1978).

Essa concepção ampliada de estratégia pareceu útil a Mintzberg e seus associados na McGill University quando pesquisavam o processo pelo qual as estratégias efetivamente se formam no mundo real das organizações.

A noção dominante na época era a de que a estratégia é um plano explícito, formulado pelos dirigentes da organização, que estabelece objetivos e programas de ação detalhados e que é, então, implementado. Mintzberg descobriu que linhas de ação coerentes e importantes – que um observador externo percebe como estratégicas – freqüentemente se formavam de outras maneiras, alguma vezes até mesmo na ausência de um plano.

Essa é a razão pela qual ele sentiu a necessidade de pensar estratégia não em termos de intenções – como em um plano –, mas sim em termos daquilo que a organização efetivamente faz, a partir das ações críticas específicas que são realmente postas em prática.

Assim, ele definiu estratégia como “um padrão em uma sucessão de decisões” (Mintzberg, 1978), que reformulou posteriormente como “um padrão em uma sucessão de ações” (Mintzberg e Waters, 1985). Essa definição permite que um observador independente examine o comportamento da organização e que, ao reconhecer um padrão em suas ações, chame-o de estratégia, mesmo que a organização não tenha descrito tais ações previamente em um plano. Assim, essa definição faz de estratégia um conceito mais operacional para o pesquisador que esteja estudando qualquer organização real, porque ele não precisa mais verificar se uma seqüência de ações de uma organização foi estabelecida previamente em um plano para que possa chamá-la de estratégia.

Com esse significado mais amplo de estratégia, “estratégia emergente” foi então definida como um padrão de ação seguido na ausência de um plano ou em desacordo com um plano existente. “Estratégia deliberada”, em contrapartida, foi definida como um padrão de ação seguido de acordo com um plano (Mintzberg, 1978).

Mintzberg também propôs o termo “formação de estratégia” para se referir ao processo pelo qual as estratégias são criadas, seja ele um processo de planejamento consciente e explícito – que é a “formulação da estratégia” – ou um processo de emersão (ib.).

Origem: artigo de Fábio Luiz Mariotto.